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Intestino e cérebro: uma nova perspectiva sobre saúde mental

Nos últimos 40 anos, uma série de estudos e avanços científicos foram realizados em relação às conexões existentes entre o sistema nervoso entérico e a qualidade de vida em diversos aspectos, dentre eles o da saúde mental.

O que se observa é que a comunicação que se dá entre o sistema nervoso e o trato gastrointestinal é uma via de mão dupla, ou seja, da mesma forma que alterações psíquicas podem alterar os processos digestivos e intestinais, as alterações que se dão no intestino – em especial as inflamatórias – também podem ter consequências psíquicas.

Não é de hoje que se sabe que o intestino possui funções que vão além da digestão de alimentos. A microbiota intestinal – isto é, as bactérias e micróbios benéficos – tem papel importante, por exemplo, na terapia do câncer.

Tratando-se de questões neurológicas, o desequilíbrio da microbiota, conhecida como disbiose intestinal, tem relações com doenças como a esclerose múltipla, mal de Parkinson e, até mesmo, epilepsias.

Alguns estudos sugerem que a dieta pode cumprir papel importante no tratamento dessas doenças, retardando seu desenvolvimento e mitigando sua progressão. Nos casos de Parkinson, por exemplo, notou-se a correlação entre o agravamento da doença e a baixa incidências de determinados micróbios no intestino.

Portanto, sendo a dieta o principal fator que age sobre a saúde da flora, é imprescindível uma alimentação equilibrada e rica em nutrientes, evitando alimentos pró-inflamatórios e ultraprocessados.

Além de cumprir papel importante para fortalecimento do sistema imunológico, o intestino também é responsável por auxiliar a maior parte da produção do hormônio serotonina no nosso corpo – cerca de 90%. O desequilíbrio da microbiota também pode estar associado à instabilidade de humor, estando relacionada também a distúrbios como ansiedade e depressão.

O tratamento probiótico já se demonstrou promissor em alguns estudos em pacientes com transtornos de humor; nesse mesmo sentido, já se notou que algumas cepas benéficas (Coprococcus e Dialister) são diminuídas em pacientes diagnosticados com depressão.

Dessa forma, a perspectiva que se abre – e que cada vez mais se evidencia – é que o cuidado com a dieta e com a saúde gastrointestinal pode ter benefícios amplos para quem busca qualidade de vida e longevidade.

Para além das melhoras físicas, a saúde mental – um tema que é cada vez mais central nas discussões sobre equilíbrio e saúde nos tempos modernos – pode se beneficiar muito quando a microbiota intestinal também é saudável.

Assim, evitar alimentos gordurosos e açúcares, reduzir os alimentos ultraprocessados e embutidos pode ser um primeiro passo rumo a uma vida saudável.

A isso, associa-se a adoção de uma dieta equilibrada e que atenda às necessidades e particularidades de cada paciente, além da prática de exercícios físicos e do consumo adequado de água. Esses fatores, quando operados em conjunto, devem ser prioridade para quem busca a adoção de bons hábitos visando uma vida plena e prazerosa.

Cultive esses hábitos e lembre-se que, para potencializar seus resultados, o acompanhamento médico é fator decisivo – uma vida feliz e saudável depende de equilíbrio!

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